Ela acorda cedo. Passa o dia inteiro dedicada ao bem-estar de outro ser humano. Carrega emoções pesadas, lida com perda, com dor, com limitações físicas e emocionais que a maioria das pessoas nunca vai enfrentar no trabalho. E vai para casa, no fim do dia, sem que ninguém tenha perguntado como ela está. Quem cuida do cuidador?
Esta é a pergunta central deste episódio — e ela é mais urgente do que parece. O burnout entre cuidadores de idosos é uma realidade silenciosa e crescente. Depressão, síndrome do pânico, exaustão emocional crônica — condições que se desenvolvem lentamente, muitas vezes invisíveis para gestores e para as próprias cuidadoras, até o momento em que o colapso é inevitável.
Pastor Vanderlei Borzani tem quase 30 anos de experiência como capelão, conselheiro bíblico e pastor. Pastor Lucas Andrade é pastor de jovens, capelão corporativo e fundador da HUBC2, empresa especializada em capelania empresarial. Juntos, eles se tornaram parceiros oficiais do Residencial Amar com um propósito claro: cuidar de quem cuida.
A conversa começa desmistificando algo que muita gente não conhece: o que é capelania — e por que ela vai muito além dos hospitais e das igrejas. A capelania empresarial é uma prática estruturada de suporte emocional e espiritual dentro do ambiente de trabalho, que funciona como um espaço seguro para que colaboradores possam ser ouvidos, acolhidos e apoiados em suas dificuldades — sem julgamento e sem obrigação religiosa.
Um dos pontos mais práticos e relevantes do episódio é a discussão sobre a NR1 — a norma regulamentadora que passou a exigir das empresas atenção à saúde psicossocial dos trabalhadores. Lucas explica o que isso significa na prática, quais são as obrigações legais dos empregadores e como a capelania se encaixa como uma solução concreta e eficaz para cumprir essas exigências.
A conversa também aborda uma dúvida comum: a capelania funciona para pessoas sem fé religiosa? A resposta de ambos os pastores é direta e surpreende muita gente — sim. A capelania empresarial não é proselitismo. É escuta, presença e suporte humano oferecido a qualquer pessoa, independente de crenças ou ausência delas.
Para gestores de ILPIs, líderes de equipes de cuidado, cuidadores e qualquer pessoa que trabalhe com pessoas em situação de vulnerabilidade, este episódio é um alerta e uma solução ao mesmo tempo.