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Episódio #029

O Colapso do Cuidado com Idosos no Brasil | Ep. #029

👤 Eliz Taddei · Fundadora da Morar Sênior e Trevoo · ⏱ 1:13:14

Uma operação clandestina não tem placa na frente. Essa frase, dita por Eliz Taddei logo no início da conversa, resume bem o que você vai encontrar neste episódio — uma das conversas mais francas e práticas que o Podcast Amar Residencial já realizou sobre o mercado de longevidade no Brasil.

Eliz é fundadora da Morar Sênior — carinhosamente chamada de “o Airbnb dos idosos” — e da Trevoo, holding que organiza também o maior evento do setor de ILPIs no país, o Trevoo Expo Summit. Com mais de uma década conectando famílias a residenciais sênior e visitando centenas de instituições em todo o Brasil, ela chegou ao podcast para falar sem filtros sobre o que funciona, o que falha e o que coloca idosos em risco todos os dias.

Um dos momentos mais práticos do episódio é quando Eliz explica o checklist inegociável para visitar um residencial. Toda ILPI precisa apresentar no mínimo dois documentos: o protocolo da Vigilância Sanitária e o AVCB do Corpo de Bombeiros. Se a instituição não tiver esses documentos ou se recusar a apresentá-los, é um sinal de alerta gravíssimo. E Eliz vai além — conta como a Morar Sênior checa a autenticidade de cada documento, porque já recebeu residenciais com documentos falsos tentando entrar na plataforma.

A conversa também toca num tema que incomoda muitas famílias: o custo real do cuidado. Eliz é direta — um residencial que cobra abaixo de R$ 5.000 mensais não consegue entregar qualidade mínima. Seis refeições diárias com proteína de qualidade, manutenção do ambiente, atividades de socialização, equipe qualificada — tudo isso tem um custo real que não cabe em valores muito abaixo disso.

Outro ponto que chama atenção é sobre os sinais de alerta que quase ninguém percebe. Quando um idoso começa a perder estímulo cognitivo, a declinar rapidamente, a ficar apático — isso não é só envelhecimento. É um sinal de que o residencial não está fazendo um trabalho efetivo de socialização e estimulação. A diferença entre um cuidador entregando desenhos para colorir e um terapeuta ocupacional trabalhando com atividades alinhadas à história de vida do idoso é enorme.

Eliz também aborda um paradoxo que André levantou durante a conversa e que resume muito do que está errado no Brasil — a profissão de cuidador de idosos ainda não é regulamentada no país. Uma situação que compromete a qualidade do cuidado e dificulta que gestores saibam exatamente o que exigir de quem contratam.

A conversa termina com uma visão que mistura orgulho e preocupação: o mercado de ILPIs está evoluindo, a iniciativa privada está chegando com força, a tecnologia está transformando a gestão dos residenciais. Mas de 12.000 CNPJs ativos no setor, apenas cerca de 2.000 já têm prontuário eletrônico. Faltam 10.000 para chegar ao nível mínimo que a digitalização do cuidado exige.

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